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sábado, 9 de julho de 2011

Retiro Provincial 2011


SEMEAR

            Alguém que tenha experiência de vida no campo e na lavoura sabe que o semear faz parte da lida diária para garantir a sobrevivência pessoal e adquirir bens duradouros. Sabe que semeando estará colaborando para o progresso e enriquecimento da sociedade. Sabe que ao semear será necessário aguardar o devido tempo para a germinação, crescimento, produção e maturação. Só então será possível a colheita.
            Não pensa em semear hoje para colher a manhã. Não pensa em semear em qualquer época ou em qualquer terreno. Tudo tem seu tempo, seu ambiente e seu lugar. E é preciso semear. E semear boa semente para garantir farta colheita. Pois só colhe daquilo que semear. Não queira semear arroz para colher trigo, ou semear feijão para colher milho.
            A sabedoria da Bíblia Sagrada convida a refletir seriamente sobre o sentido e o valor do semear. O profeta Oséias no capitulo 8, versículo 7 diz: “quem semeia ventos colhe tempestades”. Isto é, daquilo que semear haverá de colher. Muitos são os que sonham colher bons frutos, mas esquecem de semear.
            Muitos gostariam se sentirem amados, mas não semeiam amor. Muitos sonham ter paz em seu coração, mas não semeiam. Muitos gostariam partilhar alegrias, sonhos, realizações, mas não semeiam aquilo que poderia contribuir.
            Quem semeia não tem pressa. Sabe que está preparando o dia de amanhã. Na carta aos Gálatas Paulo diz: “O que o homem semeia, isso colherá: quem semeia nos instintos egoístas, colherá corrupção; quem semeia no espírito, do espírito colherá  vida eterna” (Gal.6,7-8)
            O Mestre dos mestres é quem revela o grande e verdadeiro semeador: o Pai do céu. É ele o amável e generoso semeador. Possui sementes de toda espécie e em quantidade suficiente para satisfazer a todos. Semeia continuamente e não escolhe terreno algum. Seja um coração ressequido pelo ódio, seja um coração sufocado pela decepção, seja um coração instável e indefinido, ou seja um coração amável e saudável
            Todos recebem as mesmas sementes, as mesmas luzes e as mesmas bênçãos. Pois a generosidade do semeador não se deixa a bater por nada e por ninguém. Quem resistir ou quem se mostrar indiferente ou contrariado continuará recebendo boas sementes. Pois um coração que é bom só possui o bem para semear.
            Um coração feliz só tem felicidade para semear. Um coração que ama só tem amor para semear. Um coração que vive alegre só tem alegria para semear.
            E se ainda existem ambientes e corações amargurados é porque os bons se acomodaram e não se tocaram para perceber o quanto de valor estão perdendo. Existem muitos cristãos que se aposentaram na fé. E passaram a fazer parte da lista daqueles e daquelas que só encontram argumentos para lamentar a vida, comentar defeitos de quem dispõe de forças em fazer algo de bom aos corações e semblantes castigados pela fome e pela miséria.
            Mas ainda existem mãos generosas semeando amor nos corações feridos pela dor. Ainda existem mãos generosas semeando esperança nos corações inquietos pelo medo. Ainda existem mãos generosas semeando alegria em tantas faces feridas pela tristeza. Ainda existem mãos generosas semeando vida e paz para todos.

Frei Venildo Trevizan OFMCap

sábado, 2 de julho de 2011

QUEM EU SOU?

            Cada ser humano elabora um conceito de si mesmo muito próprio. E passa a trabalhar e a conviver a partir desse conceito, ou de uma certa imagem, que criou e se esforçou em comunicar a quem participa de sua vida e de sua convivência. Isso pode até provocar alguns conflitos entre o que pensa de si e o que outros pensam a seu respeito.
            Por falar em outros, é importante cada qual, prestar atenção também ao que acontece a seu redor. Há uma diferença fundamental entre “quem sou eu” e “quem eu sou”. A primeira depende do conceito que cada qual elabora de si. E a segunda depende do que outros pensam e conseguem desvendar e elaborar a seu respeito.
            O Mestre dos mestres na sua contagiante sabedoria interpelou certa feita seus seguidores perguntando: “Para vocês, quem eu sou”? Bem sabia que na mente desses seguidores havia uma imagem a seu respeito nada coerente com aquela que ele queria revelar. Eles viam nele uma esperança política. Acreditavam que estaria organizando um governo com armas e exércitos suficientes para mudar a situação deprimente em que o povo se encontrava.
            Esperavam um grande e poderoso messias, libertador dos oprimidos e construtor de um novo reino e uma nova sociedade. Hoje também muitos são os que vêem nele um homem excepcional, um grande mestre, um grande sábio, sensível ao sofrimento humano, atento aos pobres a ponto de aceitar entregar a própria vida para a salvação de todos. Continuam admirando suas atitudes e seus gestos marcados por um profundo amor e uma extraordinária misericórdia.
            E não passam disso. Esquecem de ver nele aquele que realmente é. Não existiu e não existirá ninguém como ele. Os profetas foram homens corajosos, mas não foram salvadores. Prepararam a vinda dele, mas não eram o messias esperado das nações. Só ele é esse Messias e esse Salvador que veio na simplicidade de um ser humano para revelar o amor de um Deus compassivo e compreensivo.
            Nos arquivos da história da humanidade encontram-se relatos de grandes heróis venerados por seu povo. Homens e mulheres que praticaram gestos extraordinários e que conquistaram a independência e liberdade para seu povo. Homens e mulheres que realizaram descobertas fantásticas e muito úteis para a humanidade no campo da saúde, da ciência, da arte e de tantos outros setores da vida humana.
            Tudo isso é louvável e grandioso. Mas Jesus Cristo não pode ser visto e admirado simplesmente como um desses grandes homens, como um sábio e inteligente líder, como alguém que marcou a humanidade com sua personalidade e com a persuasão de suas idéias e de seus projetos. Ele precisa ser visto como alguém especial. Alguém, não como resultado de opiniões, mas como fruto de convicções.
            Para elaborar um conceito real e verdadeiro a seu respeito será preciso examinar em profundidade seus ensinamentos, e sua programação de vida. Não confiar naquilo que a mídia difunde e confunde. É preciso respeito pelo sagrado, equilíbrio no julgar, bom senso no interpretar e seriedade no pesquisar.
                                                                             

Frei Venildo Trevizan OFMCap

sábado, 25 de junho de 2011



             UM COPO DE ÁGUA

            Todos estão em procura de vida. A semente jogada ao chão e enterrada germina, rompe a terra e sai para respirar vida. Mesmo aquela que não foi enterrada encontra uma maneira de fazer com que suas raízes busquem umidade no chão para germinar e ir ao encontro da luz do sol e da vida
            Os animais, sejam grandes ou pequenos, sejam de qualquer tamanho, também buscam vida. Mesmo que seja por algumas horas, alguns dias, ou alguns anos. O tempo não importa. O que importa é viver. E fazer algo para perpetuar sua espécie.
            Os seres humanos procuram vida e vida o quanto mais plena possível. Mesmo que tenha de enfrentar fome, frio, doenças, perigos os mais diversos, não desistem. Querem viver. Querem perpetuar sua vida e sua espécie. E não há distinção. Todos querem viver.
            Mesmo que social e culturalmente façam distinção entre vida saudável e vida sofrida, todos querem viver. Mesmo que economicamente a sociedade crie classes distintas entre ricos e pobres, mesmo assim todo o ser humano luta pela própria vida, pela própria dignidade e pela própria felicidade. Vivendo em mansões ou em favelas a dignidade é a mesma, pois a filiação é uma só: todos são filhos e filhas do mesmo Deus que é pai e mãe de toda a humanidade.
            E a grandeza dessa vida não se mede pelos bens adquiridos, pelos títulos conquistados, pela posição social ocupada, mas pelo serviço prestado, pela disponibilidade em partilhar o que possui e o que sabe, pela alegria em amar e incentivar a quem necessite de algum estímulo para reencontrar o prazer de viver, de sorrir e de acreditar em seus sonhos e em suas esperanças.
            Levar a pessoa a acreditar em si, a amar o pouco que sabe para se colocar a serviço do bem e da vida. Despertar na pessoa o sentimento de acolhida, o milagre da convivência e a riqueza do perdão. E então descobrirá o caminho de Deus que está sempre disponível em acolher, amar e recompensar. Ele quer premiar cada filho e cada filha por aquilo que for capaz de produzir para o bem dos demais.
            Deus não olha o quanto alguém faz ou realiza de bom. Para ele não existe quantidade, mas qualidade. Não é o tanto que faz, mas como o faz. Na certeza de que os mínimos gestos, as mais simples atitudes, os mais humildes préstimos sempre serão acolhidos e abençoados.
            O querer fazer muito nem sempre será o melhor. O querer elaborar grandes projetos nem sempre garantirá o sucesso. Mas o realizar as tarefas diárias com carinho, o cumprir suas obrigações familiares com simplicidade, o exercer sua função na comunidade com amor, isso certamente deixará o coração feliz e a consciência serena.
            O Mestre dos mestres vivia no meio de um povo um tanto contraditório. Um povo que buscava algo para garantir uma vida melhor, mas esquecia que as grandes obras são feitas de pequenos gestos, e a comunidade se constitui de pequenas atitudes assumidas com amor.
            E ele é muito claro quando diz: “Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fria a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, eu garanto a vocês: não perderá a sua recompensa” (Mt.10,42). São os pequenos gestos que tornam um coração grande. É a atenção simples dada a quem sofre que garante a paz de espírito e a alegria da alma.
                                                                                                                     Frei Venildo Trevizan.

domingo, 19 de junho de 2011

O Amor vence tudo

Deus é amor...

            Quem ama procura todas as maneiras e formas para revelar o que se passa em seu interior. Tudo fará para transmitir seus sentimentos, seus desejos, seus sonhos e seus planos de vida. Mas sabe que, por mais que se esforce, dificilmente conseguirá revelar-se na totalidade do seu ser e do seu querer.
            Passa a vida inteira tentando. E sempre deparará com limitações. E quando perceber que esta vida está chegando ao fim entenderá que passou pelo mundo tentando, embora não conseguindo transmitir tudo quanto perpassou sua mente e sua vontade.
            Não será frustração e nem decepção. Pois, quem se propõe amar, sentirá uma enorme alegria em ter podido revelar o máximo de seus talentos dentro dos seus planos e suas limitações. Terá muitos motivos para celebrar a alegria de uma prolongada convivência e de uma feliz partilha de valores e sentimentos que cultivou em sua alma.
            É maravilhoso olhar para um casal que se encontra partilhando um longo e frutuoso caminho de amor. Apesar de tantos anos passados, o carinho entre eles continua edificante, o sorriso continua contagiante, o respeito continua sagrado e o amor se eternizando.
            Esse amor não terá fim. Esse amor jamais acabará. É um amor que vence tudo. Mesmo se acontecer um distanciamento provocado pela morte corporal, as mentes e os corações continuarão entrelaçados pela aliança da comunhão eterna na fidelidade.
            Quem ama não prende ninguém a si. Abre seu espírito para comunicar sua sabedoria em tudo o que lhe for possível. Sabe, contudo, não ser fácil essa comunicação e essa revelação de tudo quanto perpassa seu interior. As palavras se tornam frágeis. O olhar tenta revelar algo, mas nem tudo consegue. Os gestos se tornam pequenos e quase insignificantes diante da magnitude desse amor.
            Um amor humano que aos poucos se torna divino. E quem viver nesse amor irá conhecendo e vivendo o amor do próprio Deus, pois Deus é amor. E ama a cada um com um amor muito pessoal e muito familiar. Um amor que não exige nada em troca. Nada impõe. É gratuito e generoso. É um amor que gera vida e vida em plenitude.
            Os humanos dificilmente entenderão isso. Desejam amar. Sonham amar. Buscam entender esse amor. Mas se perdem pelo caminho. Uns em lugar do amor alimentam interesses egoístas e sufocam esse amor. Outros simplesmente exploram os sentimentos alheios. Exploram a beleza física, o econômico, o prazer, a posição social, o intelectual. Jamais viverão a profundidade do amor. Permanecerão na superficialidade e na ilusão.
            Seria muito bom vivenciar essa soberana verdade: “Deus é amor e quem ama conhece a Deus e permanece nele” (1Jo.4,16). Isso é para corações que alimentam sentimentos nobres. E sabem colocar Deus em seu devido lugar acolhendo e seguindo seus ensinamentos.
            É importante saber que ele nada impõe. Simplesmente propõe. A decisão dependerá do posicionamento que o ser humano assumir em sua liberdade e em sua vontade. Deus é quem toma a iniciativa de amar. E ama a todos: tanto ricos quanto pobres, tanto mártires quanto assassinos. Ele é totalmente amor, mesmo que nem todos entendam.
                      Frei Venildo Trevizan OFMCap

terça-feira, 14 de junho de 2011

13 de Junho, dia do Padroeiro






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segunda-feira, 13 de junho de 2011